Manuel Bandeira - Vamos Embora Pra Poesia
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Manuel Bandeira - Vamos Embora Pra Poesia

Manuel Bandeira - Vamos Embora Pra PoesiaManuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu em Recife, Pernambuco, em 1886. Tornou-se poeta logo cedo, mas fez seu primeiro registro em 1917. Abordando temáticas cotidianas e universais, às vezes com uma abordagem um tanto piadista, lidando com formas e inspiração que a tradição acadêmica considerava até meio vulgares, o poeta utilizou-se, em temas cotidianos, de formas colhidas nas tradições clássicas e medievais. Em sua obra de estréia, inclusive, estão composições poéticas rígidas, sonetos em rimas ricas e métrica perfeita, na mesma linha onde, em seus textos posteriores, encontramos composições como o rondó e trovas.

Manuel Bandeira - Vamos Embora Pra PoesiaUma certa melancolia, associada a um sentimento de angústia, permeia sua obra, em que procura uma forma de sentir a alegria de viver, justamente porque seriamente doente dos pulmões, Manuel Bandeira sabia dos riscos que corria diariamente, e a perspectiva de deixar de existir a qualquer momento tornou-se uma constante na produção de sua obra. Manuel Bandeira e sua família morou em Santos e em São Paulo e, por duas vezes, se instalaram no Rio de Janeiro. A mudança para o Rio levou o menino Manuel a ser matriculado no colégio Pedro II, só que, com 17 anos, Bandeira e a família foram  para São Paulo, onde ele ingressou na Escola Politécnica.

Entretanto, no ano seguinte (1904) ficou tuberculoso e por conta da doença abandonou os estudos, voltou para o Rio, passando temporadas em várias outras cidades (como Petrópolis e Campos do Jordão), de clima mais propício ao seu estado de saúde. Contudo, Manoel, contudo, resistiu e se tornou possivelmente no mais lírico dos poetas do Brasil.

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Manuel - Terno, mas eternamente dramático:

A imagem de bom homem e terno (bem representada na obra de Portinari) que Bandeira aparentava, na verdade, produziu enganos: sua poesia, longe de ser uma pequena canção terna de melancolia, está inscrita em um drama que conjuga sua história pessoal e o conflito estilístico vivido pelos poetas de sua época. Cinza das Horas, obra de estréia, apresenta a grande tese: a mágoa, a melancolia, o ressentimento enquadrados pelo estilo mórbido do simbolismo tardio. Esse drama silencioso surpreende mesmo em poemas ternos, quando inesperadamente encontram-se, como é o caso dos poemas jornalísticos de Libertinagem (1930), comentários mordazes e sorrateiros interrompendo a fluência ingênua de relatos líricos, fazendo revelar todo um universo de sentimentos contraditórios. Com este livro, talvez o mais celebrado dos livros de Bandeira, o poeta adotou formas modernistas e abandonou  a metrificação tradicional, acolhendo em sua obra o verso livre. Libertinagem dará o tom de toda a poesia subseqüente de Manuel Bandeira.

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Anos 10 e 20 - As horas e suas cinzas dissolutas:

Em 1913, partiu para a Suíça em busca de tratamento. Regressou no ano seguinte, pois estava começando a Primeira Guerra Mundial. Perdeu a mãe (Dona Francelina Ribeiro de Souza Bandeira) ,em 1916 e em 17 publicou seu primeiro livro: A Cinza das Horas, livro que traz poemas parnasiano-simbolistas. Depois veio Carnaval (1919), trabalho que marca o início da libertação das formas fixas e a opção pela liberdade formal, que se tornaria uma das marcas registradas de sua poesia, levando-o a ser considerado o mais hábil poeta brasileiro no manejo do verso livre. A partir de Carnaval, toda a obra poética de Bandeira constrói-se em torno de uma progressiva liberdade de expressão. Nesse livro de  1919, está o poema "Os Sapos", verdadeiro manifesto de um poeta inconformado e rebelde diante das limitações da estética parnasiana. Este poema foi lido por Ronald de Carvalho, na Semana de Arte Moderna de 1922 e provocou reações radicais na segunda noite do acontecimento. No entanto, Manuel Bandeira não participou da Semana de 22, mesmo tendo sido convidado. Neste ano, havia dois que perdera seu pai, Manuel Carneiro de Souza Bandeira. Depois disso, Bandeira lançou O Ritmo Dissoluto, em 1924, cujo título já indica tratar-se de um livro integrado ao espírito modernista, mostra a opção definitiva de Bandeira pelo corriqueiro, pelo cotidiano, como matéria poética.

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Anos 30 - Liberdade para lembrar infância e amores:

A este fenomenal Carnaval, seguiu-se Libertinagem (1930), abrindo a produção dos anos 30 do poeta pernambucano. Este livro apresenta alguns poemas fundamentais para se entender a poesia de Bandeira: "Vou-me embora pra Pasárgada", "Poética", "Evocação do Recife" (Seu avô materno, Antônio José da Costa Ribeiro, advogado e político, deputado geral na 17ª legislatura, era o avô citado neste poema). No mesmo livro começam a aparecer assuntos que se tornariam freqüentes. Entre eles, o amor, a lembrança de vultos familiares e da infância, o folclore. Quando chegou aos 50 anos de vida, em 1936, Bandeira recebeu muitas homenagens e prêmios, entre as quais a publicação de Homenagem a Manuel Bandeira, livro com poemas, estudos críticos e comentários, de autoria dos principais escritores brasileiros. Publicou, ainda em 1936, Estrela da Manhã (com papel presenteado por Luís Camilo de Oliveira Neto e contribuição de subscritores) e Crônicas da Província do Brasil. Em 37, recebeu o prêmio da Sociedade Filipe de Oliveira por conjunto de obra e publicou Poesias Escolhidas e Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica. No ano seguinte, foi nomeado professor de literatura do Colégio Pedro II e membro do Conselho Consultivo do Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Também publicou neste mesmo ano Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana e Guia de Ouro Preto.

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Anos 40 - A academia do professor:

Os anos 40, começou com uma alegria: em 1940 acabou sendo eleito para a Academia Brasileira de Letras, na vaga de Luís Guimarães Filho. Em 1943. Bandeira foi nomeado professor de literatura hispano-americana da Faculdade Nacional de Filosofia, deixando, por conta desta nomeação, o Colégio Pedro II, onde lecionava desde 1938. Em 1946, recebeu o prêmio de poesia do IBEC por conjunto de obra. Publicou neste mesmo ano, Apresentação da Poesia Brasileira e Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos. Em 1948 foram reeditados três de seus livros: Poesias Completas, com acréscimo de Belo Belo; Poesias Escolhidas e Poemas Traduzidos. Este também foi o ano da publicação de Mafuá do Malungo (impresso em Barcelona por João Cabral de Melo Neto) e organização de uma edição crítica das Rimas de João Albano. No ano seguinte, Bandeira publicou Literatura Hispano-Americana e traduziu O Auto Sacramental do Divino Narciso de Sóror Juana Inés de la Cruz.

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Anos 50 - A eleição do tradutor, não do político:

Os anos 1950, foram de muito trabalho para Manuel Bandeira, inclusive com uma aventura pela política: em 1950, por insistência dos amigos e apenas para compor a chapa, candidatou-se a deputado pelo Partido Socialista Brasileiro, sabendo que não tinha mesmo chance nenhuma de  se eleger. No ano seguinte, continuou seu trabalho de escritor e publicou Opus 10 e a biografia de Gonçalves Dias. No ano de 1954 publicou Itinerário de Pasárgada e De Poetas e de Poesia. Fez conferência no Teatro Municipal do Rio de Janeiro sobre Mário de Andrade e publicou 50 Poemas Escolhidos pelo Autor, em 1955. Neste ano marcou presença no teatro brasileiro ao traduzir Maria Stuart, de Schiler, encenado no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em junho, iniciou colaboração como cronista no Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, e na Folha da Manhã, de São Paulo. Em 1956, quando foi aposentado por motivos da idade, como professor de literatura hispano-americana da Faculdade Nacional de Filosofia, traduziu Macbeth, de Shakespeare, e La Machine Infernale, de Jean Cocteau. Em 57, continuou seu trabalho de tradução com as peças Juno and the Paycock, de Sean O'Casey, e The Rainmaker, de N. Richard Nash. Neste ano, publicou Flauta de Papel. Em julho visitou a Europa, pasando por Londres, Paris, e algumas cidades da Holanda. Retornou ao Brasil em novembro. Em 1958, publicou Gonçalves Dias, na coleção "Nossos Clássicos" da Editora Agir. Traduziu a peça Colóquio-Sinfonieta, de Jean Tardieu. No ano seguinte traduziu The Matchmaker (A Casamenteira), de Thorton Wilder.

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Anos 60 - Triunfo e ocaso do poeta:

Nos efervecentes anos 60, seu trabalho de escritor e tradutor, continuou forte e Bandeira, já em 1960, traduziu o drama D. Juan Tenório, de Zorrilla. Pela Editora Dinamene, da Bahia, lançou, em edição artesanal Estrela da Tarde, onde atestou a inquietação do poeta, sempre procurando novos recursos formais para expressar sua visão de mundo e uma seleção de poemas de amor intitulada Alumbramentos. Ainda em 60, saiu na França, pela Pierre Seghers, Poèmes, antologia de poemas de Manuel Bandeira em tradução de Luís Aníbal Falcão, F. H. Blank-Simon e do próprio autor. Em 1961, traduziu Mireille, de Fréderic Mistral e começou a escrever crônicas semanais para o programa "Quadrante" da Rádio Ministério da Educação. Escreveu, até 1961, crônicas bissemanais para o Jornal do Brasil e a Folha de São Paulo. Em 1962 traduziu o poema Prometeu e Epimeteu de Carl Spitteler. Em 1963, escreveu para a Editora El Ateneo e biografias de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Castro Alves. A Editora das Américas editou neste ano Poesia e Vida de Gonçalves Dias. Também traduziu a peça Der Kaukasische Kreide Kreis, de Bertold Brecht e escreveu muitas crônicas para o programa "Vozes da Cidade" da Rádio Roquette-Pinto, algumas das quais lidas por ele próprio, com o título "Grandes Poetas do Brasil". No ano seguinte (1964), Bandeira traduziu as peças O Advogado do Diabo, de Morris West, e Pena Ela Ser o Que É, de John Ford. No ano de 1965 traduziu as peças Os Verdes Campos do Eden, de Antonio Gala, A Fogueira Feliz, de J. N.Descalzo, e Edith Stein na Câmara de Gás de Frei Gabriel Cacho. Ainda neste ano, foi lançado na França, pela Pierre Seghers, na coleção Poètes d'Aujourd'hui, o volume Manuel Bandeira, com estudo, seleção de textos, tradução e bibliografia por Michel Simon. No ano de 1966, o poeta comemorou 80 anos de vida e recebeu muitas homenagens: a Editora José Olympio, por exemplo, realizou em sua sede uma festa de que participam mais de mil pessoas e lançou os volumes Estrela da Vida Inteira (poesias completas e traduções de poesia) e Andorinha Andorinha (seleção de textos em prosa, organizada por Carlos Drummond de Andrade). Neste mesmo 66, Bandeira comprou uma casa em Teresópolis, a única de sua propriedade ao longo de toda sua vida.
Porém, nestes mesmos agitados anos 60, mais precisamente em 1968, depois de uma vida rica de encontros e trabalhos primorosos, Manuel Bandeira, um dos maiores poetas brasileiros,  fez a viagem definitiva de sua vida: aos 13 de outubro, quase às 13 horas, no Hospital Samaritano, no bairro de Botafogo, na Rio de Janeiro que ele tanto amava,  partiu  para sua Pásargada imaginária., aos 82 anos de idade. Com honras, foi  sepultado no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista.

O Trabalho de Manuel Bandeira:

Poesia:
* A cinza das horas, 1917
* Carnaval, 1919
* O ritmo dissoluto, 1924
* Libertinagem, 1930
* Estrela da manhã, 1936
* Lira dos cinquent'anos, 1940
* Belo, belo, 1948
* Mafuá do malungo, 1948
* Opus 10, 1952
* Estrela da tarde, 1960
* Estrela da vida inteira, 1966
* O bicho, 1947

Prosa:

* Crônicas da Província do Brasil - Rio de Janeiro, 1936
* Guia de Ouro Preto, Rio de Janeiro, 1938
* Noções de História das Literaturas - Rio de Janeiro, 1940
* Autoria das Cartas Chilenas - Rio de Janeiro, 1940
* Apresentação da Poesia Brasileira - Rio de Janeiro, 1946, 2ªed.Cosac Naif-São Paulo 2009
* Literatura Hispano-Americana - Rio de Janeiro, 1949
* Gonçalves Dias, Biografia - Rio de Janeiro, 1952
* Itinerário de Pasárgada - Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 1954
* De Poetas e de Poesia - Rio de Janeiro, 1954
* A Flauta de Papel - Rio de Janeiro, 1957
* Itinerário de Pasárgada - Livraria São José - Rio de Janeiro, 1957
* Andorinha, Andorinha - José Olympio - Rio de Janeiro, 1966
* Itinerário de Pasárgada - Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1966
* Colóquio Unilateralmente Sentimental - Editora Record - RJ, 1968
* Seleta de Prosa - Nova Fronteira - RJ
* Berimbau e Outros Poemas - Nova Fronteira - RJ
* Cronicas inéditas I
* Cronicas inéditas II- Ed Cosac Naif- SP- 2009

Antologias:
* Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica, N. Fronteira, RJ
* Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana - N. Fronteira, RJ
* Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna - Vol. 1, N. Fronteira, RJ
* Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna - Vol. 2, N. Fronteira, RJ
* Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos, N. Fronteira, RJ
* Antologia dos Poetas Brasileiros - Poesia Simbolista, N. Fronteira, RJ
* Antologia Poética - Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1961
* Poesia do Brasil - Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1963
* Os Reis Vagabundos e mais 50 crônicas - Editora do Autor, RJ, 1966
* Manuel Bandeira - Poesia Completa e Prosa, Ed. Nova Aguilar, RJ
* Antologia Poética (nova edição), Editora N. Fronteira, 2001

Traduções:
* O Auto Sacramental do Divino Narciso de Sóror Juana Inés de la Cruz, 1949
* Maria Stuart, de Schiler, encenado no Rio de Janeiro e em São Paulo, 1955
* Macbeth, de Shakespeare, e La Machine Infernale, de Jean Cocteau, 1956.
* As peças June and the Paycock, de Sean O'Casey, e The Rainmaker, de N. Richard Nash, 1957
* The Matchmaker (A Casamenteira), de Thorton Wilder, 1958
* D. Juan Tenório, de Zorrilla, 1960
* Mireille, de Fréderic Mistral, 1961
* Prometeu e Epimeteu de Carl Spitteler, 1962
* Der Kaukasische Kreide Kreis, de Bertold Brecht, 1963
* O Advogado do Diabo, de Morris West, e Pena Ela Ser o Que É, de John Ford, 1964
* Os Verdes Campos do Eden, de Antonio Gala; A Fogueira Feliz, de J. N.Descalzo, e Edith Stein na Câmara de Gás de Frei Gabriel Cacho, 1965
* Macbeth, de Shakespeare,,Ed. Cosac Naif- São Paulo-2009

Seleção e organização:
* Sonetos Completos e Poemas Escolhidos de Antero de Quental
* Obras Poéticas de Gonçalves Dias, 1944
* Rimas de José Albano, 1948
* Cartas a Manuel Bandeira, de Mário de Andrade, 1958

Comentários (4)Add Comment
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escrito por Patricia , outubro 22, 2010
Ooooi' eu sou a Patricia de foz do iguaçu.
gosto muito dos teus poemas ..
muito criativos .
penso em um dia pode escrever igual a você. ! smilies/smiley.gif
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escrito por renata , outubro 27, 2010
adorooo...manuel bandeira,,,suas poesias são maravilhosas...que pena que ele ja se foi!
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escrito por ana paula , outubro 27, 2010
manuel bandeira foi um homem que marcou a historia brasileira com suas poesias maravilhosas...espero um encontrar alguém que escreva como ele! smilies/grin.gif
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escrito por angelica , março 24, 2011
aah eu nao gosto de vc smilies/angry.gif
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