Konstantinos Kaváfis, nasceu em Alexandria em 29 de abril de 1863, como o sétimo filho de uma família composta apenas por filhos homens. Homossexual, por volta dos vinte anos teve um caso com um primo de Constantinopla, mas jamais se prendeu a alguém. Gostava mesmo era de sair para encontrar rapazes nos cafés da Rua D´Anastasi e ir aos cassinos, mesmo não sendo viciado em jogos. A propósito, sua homossexualidade fica clara em seus poemas, embora deixe também transparecer sua imensa solidão e a efemeridade de seus encontros secretos. Em 1901, visitou pela primeira vez a Grécia, onde travou conhecimentos com Gregorios Xenopoulos, dramaturgo considerado o criador do teatro neo-helênico e fundador do Nea Estia, na época, o mais importante periódico literário de Atenas. O mesmo Xenopoulos publicou um artigo na revista Panathenea, em 1903, enaltecendo a poesia de Kafávis e transcrevendo também vários de seus poemas para conhecimento dos leitores, já que o helênico era totalmente desconhecido até então.
Em 1904, em Alexandria, Kafávis edita num panfleto sua primeira coleção com 13 poemas. Sete anos depois, faz outra edição, desta feita com 21 poemas. A esta altura, o poeta já era conhecido e considerado um dos nomes mais importantes da intelectualidade grega em Alexandria, mesmo com tamanha limitação na divulgação de seu trabalho. Com a morte da mãe, Kafávis passou a morar sozinho e sua casa passou a ser um ponto de encontro dos jovens intelectuais de Alexandria. Embora os abrigasse, Kafávis temia pelo seu prestígio diante dos jovens escritores e, temeroso da concorrência, ao invés de os estimular, trabalhava apenas para garantir o seu próprio prestígio. Talvez por esta razão, as revistas especializadas em literatura da época (Nea Zoí e Grâmmata), preferissem o trabalho de outro poeta: Palamás, o queridinho e considerado grande poeta da cena literária de Atenas.
Uma das revistas, a Grâmmata publicou, inclusive, um artigo acusando Kafávis de denegrir a poesia dos outros (Palamás, entre eles, claro) escritores e só valorizar a sua. Esta má reputação aumentou mais em 1924, quando uma série de artigos escritos por um certo Lagoudakis o tratava como “outro Oscar Wilde”.
Mas assim era Kafávis: polêmico, instigante, amado, odiado. Em 1932, foi diagnosticado um câncer de garganta no poeta. Operado em Atenas, no hospital da Cruz Vermelha, Kafávis perdeu a voz definitivamente e passou a se comunicar através de bilhetes. A despeito dos cuidados de Aleko Singopoulos - um jovem amigo a quem faria herdeiro de seu espólio literário – e sua esposa Rika Singopoulos, também amiga do poeta, Kafávis não viveu mais tempo.
No dia em que completava 70 anos (29 de abril de 1933), em Alexandria, Konstatinos Kafávis faleceu. O poeta tornou-se conhecido no mundo ocidental a partir das traduções francesas de Grivas (1947), Marguerite Yourcenar e Constantin Dimaras (1955), as italianas de Lavagine (1956) e Pontani (1961), a inglesa de Mavrogordato (1952) e a alemã de Steiner, de 1956.Comentários (0)

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